Eu ainda não sei lidar com o futuro


(Imagem: Joest Pierre)

Às vezes tentamos assumir a postura de donos do nosso próprio futuro na tentativa de esconder de nós mesmos a falta de controle que temos sobre ele. Lembro de sempre dizer sorrindo às pessoas tudo aquilo que por um bom tempo planejei para mim. Os lugares que gostaria de conhecer, os sonhos que desde minha infância cultivei e os detalhes de tudo o que eu imaginava diante dessa visão ainda tão incerta do que poderia vir pela frente.

Achava que sorrisos, quando verdadeiros, durariam uma eternidade e que com eles seria capaz de construir o meu próprio mundo. Mas qual significado eles teriam se não fosse pelo peso de um dia já ter chorado? 

Enquanto a vida me ensinava que havia muito mais coisa além daquilo que eu esperava, tentava adaptar os meus sorrisos àquilo que ela podia me oferecer no momento, o que nem sempre conseguia fazer com sucesso. 

Passei tardes inteiras em conflito com o medo de que cada passo que eu desse me custasse coisas que eu não queria deixar para trás. Por mais que as pessoas me dissessem a importância de não criar raízes quando se quer conquistar o mundo, sempre fui pego de surpresa quando as circunstâncias me tiravam aquilo que eu ainda não estava pronto para viver sem.  Me apego fácil. Seja com gestos simples de afeto ou com pequenos detalhes que, por alguma razão, fazem os meus dias melhores. 

Por um bom tempo estive caminhando em círculo, avançando até um certo ponto e voltando para ter a certeza de que as coisas permaneceriam da maneira como deixei. Não conseguia ir além daquilo que os meus olhos podiam ver, já que não queria ser obrigado a deixar de lado os meus amigos, a minha cidade e tudo o que eu havia construído nesse tempo.

Assim como uma história que só consegue ser clara quando chegamos ao fim, precisamos entender que a nossa vida passará por diferentes caminhos até que haja uma conexão entre todos eles. Quando um capítulo se encerra, outro precisa começar, trazendo consigo novas narrativas e deixando algumas para trás.

A verdade é que nós queremos o futuro no presente, mas não estamos preparados para ver o nosso presente se tornar passado. Seguir em frente requer maturidade. É um exercício diário cujo resultado só veremos no final. É um caminho que seguimos por escolha, mesmo sem saber aonde, de fato, ele irá nos levar.

Mesmo ouvindo das pessoas o quanto é possível aprender com essas experiências, percebo que quanto mais eu vejo o quão incerto é o futuro, mais eu chego a conclusão de que eu ainda não sei lidar com ele.

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