Eu e o medo de não ser amado

(Imagem: Giulio Aprin)

Um belo dia acordei me sentido diferente. Os medos me fizeram sentir insuficiente, como se o melhor que pudesse ser feito não me bastasse. Perdi o amor próprio, me iludi e me anulei. Coloquei os sentimentos dos outros acima dos meus e me convenci de que era necessário superar expectativas.

Gastei tempo me esforçando para ser o melhor, o mais agradável e o mais legal para pessoas que via dessa forma, como se essa fosse a minha única razão de existência. Queria ao menos por um momento me sentir insubstituível em meio à outros que, ao meu ver, eram mais dignos de atenção. Costumava pensar: como poderiam amar alguém como eu?

Por longos anos fui como alguém de outro planeta que, por ironia do destino, da vida, sei lá, foi levado à força para um lugar totalmente diferente daquilo que estava acostumado. Tive dificuldades de fazer amizades, me expressar e de reconhecer o meu valor. Mas já dizia o ditado: “existem males que vem para o bem”, e essa foi a minha realidade. A minha frustração com a falta de reconhecimento dos outros me fez parar para valorizar a mim mesmo. Foi então que comecei a pensar: “como as pessoas podem não reconhecer alguém tão dedicado como eu?”. “Como eu posso desperdiçar tanto tempo atrás de reconhecimento a ponto de esquecer o meu próprio valor e atribuí-lo à outros?”. Demorou, mas com o tempo passei a entender que ninguém é digno de esforço maior do aquele que fazemos para nós mesmos.

Hoje, se for para ser admirado, que seja pelo valor que dou a mim mesmo e pela força de vontade que tenho em continuar vivendo. Os outros? Serão consequência.

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